Kendô

KENDÔ “O Caminho do Samurai na Era Moderna” I - A HISTÓRIA E AS RAIZES DO KENDÔ O Kendô e Suas Origens O Kendô (“Caminho da Espada”) é uma arte marcial moderna de origem japonesa, cujo objetivo principal é educacional, para a formação do caráter da pessoa segundo os preceitos do “Bushido”, o código de honra dos Samurais. O termo Artes Marciais refere-se às artes da guerra e tem sua origem no treinamento dos guerreiros para aplicação no campo de batalha. No Japão, as artes marciais têm suas raízes na formação dos guerreiros da sua época feudal entre os séculos X e XIX, especificamente da nobreza guerreira, que eram denominados de “Bushi” ou de “Samurai” (“aquele que serve”). Embora as denominações “Bushi” e “Samurai” sejam sempre associados aos homens guerreiros, estas eram também atribuídas às mulheres, esposas desses guerreiros, as quais cuidavam da educação dos filhos de acordo com o estilo de vida dos Samurais e também praticavam as artes marciais para uso em combate, se necessário. Kenjutsu e Kendô Os Samurais praticavam diversas artes marciais e a esse conjunto deu-se a denominação de “Bujutsu” (“Técnicas de Guerra”) e de “Budô” (“Caminho da Guerra”), mas com uma importante distinção entre eles. Enquanto o “Bujutsu” se refere à prática das técnicas em si, com foco na parte física do combate, o “Budô” se refere a essa prática como um caminho para opraticante não apenas dominar as técnicas marciais, mas também cultivar um estilo de vida norteado pelo “Bushido” que preceitua a justiça, benevolência, coragem, respeito, sinceridade, lealdade e honra como as principais virtudes a serem por eles cultivadas em seu caráter e praticadas na vida diária.

 

O “Budô” prega a técnica marcial como um meio para promover a paz e a justiça e, assim, para proteger e preservar a vida e não para matar. Por ser um conceito mais contemporâneo, o “Budô” é um refinamento do “Bujutsu” e suas disciplinas são denominadas de artes marciais japonesas modernas, enquanto que as disciplinas do “Bujutsu” são chamadas de tradicionais.

 

Dentre as técnicas marciais praticadas pelos Samurais, o “Kenjutsu” (Técnica do Manejo da Espada Japonesa, o “Kataná”) era, sem dúvida, o que mais simbolizava a figura do Samurai, porque a posse e o porte do “Kataná” eram exclusivos dele, bem como porque esse instrumento era tido como a extensão da alma do Samurai. A partir do século XVIII, a prática do “Kenjutsu” se intensificou com o uso de equipamentos de proteção (“Bogu”) e de espadas de madeira (“Bokuto”) ou de bambu (“Shinai”), os quais deram origem ao “Kendô” atual. Com o fim da era feudal em 1868, a classe Samurai foi dissolvida e o uso do “Kataná” foi proibido, o que fez decair drasticamente a prática do “Kenjutsu”, mas foi depois restabelecida com fins militares e também culturais e educacionais, sendo que, para estes últimos fins, a prática foi consolidada a partir de 1919 sob os termos do “Budô” e do “Kendô”. A Expansão do Kendô pelo Mundo Após a Segunda Guerra Mundial, o Kendô foi suspenso pelas Forças Aliadas, mas foi restabelecido em 1952 com a criação da “AJKF – All Japan Kendo Federation” e, com um papel importante na educação escolar, tornou-se popular em todas as camadas da população do Japão, onde atualmente há milhões de praticantes. Depois, expandiu-se internacionalmente e vem aumentando ano após ano. A “FIK – Federação Internacional de Kendô”, organismo internacional desse desporto, foi fundada em 1970 e atualmente congrega 55 países filiados, incluso o Brasil. Conforme estabelecido pela AJKF e a FIK, o Kendô congrega a prática de três modalidades distintas, todas elas relacionadas ao manejo da espada, quais sejam: - o KENDÔ, propriamente dito, a modalidade mais popular no Japão e no Mundo e na qual há efetivo contato físico entre dois oponentes num combate realizado com o uso de espadas de bambu (“Shinai”) e equipamento de proteção (“Bogu”); - o IAIDO, segunda modalidade mais praticada, mas em escala bem menor que a do Kendô, na qual o praticante utiliza uma espada de metal, mas aplicando os golpes em oponentes imaginários e na forma de “Katas” (conjunto de movimentos de ataque e defesa simulando um combate); e - o JODÔ, a menos praticada dentre as três, na qual se pratica o manejo de um bastão de madeira (“Jo”) num combate simulado contra um oponente real que porta uma espada de madeira (“Bokuto”), somente na forma de “Katas” e sem efetivamente golpear o corpo do oponente. Kendô no Brasil No Brasil, o Kendô chegou em 1908 com os primeiros imigrantes japoneses.

 

Assim como no Japão, a prática foi proibida durante a Segunda Guerra Mundial e retomada em 1952, desde quando, partindo da região sudeste, foi sendo gradualmente disseminada para todo o País e hoje é praticada por Brasileiros de outras origens ademais da japonesa. Atualmente, há no Brasil cerca de 1.000 atletas praticantes filiados à Confederação Brasileira de Kendô – CBK, única entidade de administração do Kendô no País reconhecida pelo Ministério dos Esportes e pela FIK. O Campeonato Brasileiro da modalidade de Kendô, realizado anualmente, já está na sua 36ª Edição em 2018, enquanto que o da modalidade de Iaido está na sua 6ª Edição. O Brasil tem atuação de destaque nas competições internacionais na modalidade de Kendô, tendo conquistado as primeiras colocações em diversos campeonatos mundiais e intercontinentais. Membro fundador da CBK, a Federação Paulista de Kendô – FPK, entidade de administração do Kendô no Estado de São Paulo, congrega cerca de 600 atletas de 30 academias filiadas espalhadas por todo o estado. II – OS PROPÓSITOS DO KENDÔ A prática do Kendô, em todas as suas três modalidades, é primordialmente de cunho educacional e é voltada à formação do caráter da pessoa segundo os preceitos do “Bushido” (“Caminho do Guerreiro”). Neste sentido, os Propósitos da Prática do Kendô (“Kendô no Rinen”) foram assim definidos em 1975 pela AJKF e difundidos pela FIK internacionalmente: “Moldar a mente e o corpo, cultivar um espírito vigoroso e, através do treino correto e rígido, ter por objetivo a melhoria de sua habilidade na arte do Kendô, estimar a cortesia e a honra, relacionar-se com os outros com sinceridade e sempre buscar cultivar a si mesmo. Isto vai permitir desenvolver a capacidade de amar seu país e sua sociedade, contribuir para o desenvolvimento da cultura e promover a paz e a prosperidade entre todas as pessoas.” Além do seu cunho educacional, o Kendô é também praticado como uma modalidade esportiva, com regras de disputa estabelecidas pela FIK. Kendô na Forma Educacional Na sua forma educacional, os praticantes são incentivados a seguir na prática por toda a vida, num processo contínuo e incessante de busca de autoconhecimento e auto-aprimoramento, no qual o objetivo final é a perfeita unicidade do corpo e da mente (ou do espírito) na aplicação das virtudes preceituadas pelo “Bushido” nos seus atos do dia-a-dia, contribuindo para a promoção do bem e da prosperidade na sociedade.

 

Nesse caminho, os praticantes são desafiados a elevar a sua graduação (“Kyu” e “Dan”), através da prestação de exames organizados pelas entidades reconhecidas pela FIK, nos quais o praticante é avaliado não apenas pela sua habilidade técnica na modalidade praticada, mas também pela sua postura na arena
de combate, pela forma como veste a sua indumentária, pela forma como trata o oponente e pelo conhecimento que tem sobre o Kendô, em geral e na modalidade que pratica. Na sua ordem ascendente, as graduações vão de 5º ao 1º Kyu, na fase de praticantes iniciantes, e de 1º ao 8º Dan, na fase de praticantes de nível avançado, não sendo permitido que um praticante se candidate a um Dan sem que tenha obtido o Dan anterior e tenha cumprido um prazo de carência. Desta forma, o tempo mínimo de prática requerido para se obter o 8º Dan, a partir do 1º Dan, é de 31 anos, sendo raro que um praticante consiga obtê-lo antes de completar 50 anos de idade.

 

A busca de uma graduação representa um ciclo de aprendizagem e de aprimoramento e sua conquista irá representar o início de um novo ciclo para a busca do próximo nível mais elevado de graduação, fazendo com que esse processo seja contínuo e incessante por toda a vida. É requerido que o praticante mantenha um comportamento adequado à graduação que ostente, podendo ser cassada em caso de transgressão às regras de etiqueta do Kendô. O graduado a partir do 3º Dan é reconhecido como um instrutor de Kendô, porém, os títulos de mestre de Kendô são outorgados somente aos instrutores com graduação igual ou superior ao 5º Dan, também através de aprovação em exames e na seguinte ordem ascendente, “Renshi” (para graduados a partir do 5º Dan), “Kyoshi” (para graduados com título de Renshi a partir do 7º Dan) e “Hanshi” (para graduados com título de Kyoshi de 8º Dan). Kendô na Forma Esportiva Na sua forma esportiva, a prática é bem mais difundida na modalidade de Kendô, na qual os praticantes são separados por categorias estabelecidas de acordo com o gênero, a idade e a graduação, podendo competir na modalidade individual ou por equipes, sendo que, tanto na disputa individual como entre equipes, os combates (“Shiais”) ocorrem sempre entre dois oponentes, determinando-se o vencedor, na disputa entre equipes, pela soma das vitórias e dos pontos obtidos pelos membros da equipe.

 

Cada “Shiai” é geralmente disputado no formato de “melhor de três pontos válidos” e, para conquistar um ponto válido (“Ippon”), o atleta deve golpear um dos 4 locais protegidos do corpo do oponente, a cabeça (“Men”), o braço (“Kote”), o dorso (“Dô”) e a garganta (“Tsuki”), sendo considerado válido, por decisão majoritária de três árbitros, apenas os golpes desferidos com a parte correta do Shinai, no local correto do corpo do oponente e com uma postura correta durante todo o momento de execução do golpe, antes, durante e depois do golpe.

 

A modalidade de Kendô teve o seu primeiro Campeonato Mundial (“WKC – World Kendo Championship”) realizado no Japão em 1970, no mesmo ano de fundação da FIK. Após sucessivas edições trienais, o 16º e mais recente WKC voltou a ser realizado no Japão em 2015 e o 17º WKC terá lugar na Coréia do Sul em 2018. O Brasil foi sede para o 5º WKC e o 14º WKC, realizados respectivamente em 1982 e 2009. Nas competições das modalidades de Iaido e de Jodô, não há efetivamente um combate, mas execuções simultâneas de “Katas” por dois oponentes que são observados por três árbitros, os quais, em decisão majoritária, definem o vencedor.

 

As disputas podem ser individuais ou por equipe e as categorias são estabelecidas por idade e graduação, não havendo separação por gênero. Não há ainda competições em nível mundial nas modalidades de Iaido e de Jodô. III – A PRÁTICA DO KENDÔ Gênero e Idade dos Praticantes O Kendô pode ser praticado por pessoas do gênero masculino e feminino e, embora não haja formalmente nenhuma limitação de idade, tem sido recomendado iniciar a prática apenas a partir de 6 anos de idade. Para cima, não há efetivamente nenhuma restrição, sendo comum haver praticantes ativos com idade bastante avançada, superior a 80 anos. Risco de Acidentes e Lesões Tanto nos treinos como nas competições, é muito rara a ocorrência de acidentes ou lesões graves. Na modalidade de Kendô, na qual os golpes são aplicados no corpo do oponente, a segurança é garantida pelo uso do “Bogu” e também pela não permissão do uso da violência física (apenas o manejo da espada). Nas modalidades de Iaido e de Jodô, a inexistência de contato com o corpo do oponente reduz, por si só, a ocorrência de acidentes e, no caso específico do Iaido, que é praticado com o uso de espada de metal, a segurança é assegurada pelo uso de espadas de madeira pelos iniciantes e, depois, pelo o uso de espadas de metal sem corte (“Iaito”) até a obtenção da graduação de 5º Dan.

 

Em todas as modalidades, a falta de respeito, bem como qualquer atitude ofensiva que cometa dentro Do local de treinamento ou de competição, são tratadas como faltas graves. Nas academias oficiais, é requerido que os treinos sejam orientados por instrutores devidamente capacitados pela CBK, para que a prática seja realizada de acordo com o estágio de desenvolvimento do praticante, sem oferecer risco à sua integridade física. Etapas de Desenvolvimento no Kendô Na fase inicial, que varia de 6 a 18 meses, dependendo da intensidade com que se dedique aos treinos, o aluno aprende e aprimora os movimentos básicos na academia e é orientado a praticá-los em casa, na freqüência que desejar.

 

Paralelamente à disciplina e a tenacidade requeridas nos treinos práticos, o aluno é intensamente cobrado a manter um comportamento de respeito, cortesia e gratidão com todos, dentro e fora da academia, procurando-se, desde o início, cultivar todas as virtudes de caráter preceituadas pelo “Bushido”, cobrança essa que será mantida em todas as etapas seguintes de seu desenvolvimento. Ainda na fase inicial, conforme o praticante evolua na prática dos movimentos básicos, passam então a executar os golpes, mas desferindo-os inicialmente sobre objetos posicionados nos locais a serem golpeados (pneus ou o “Shinai” de um instrutor) e, depois, sobre um oponente, o qual será o instrutor ou um praticante avançado. Neste estágio, o atleta passa a se graduar em “Kyu” e, na modalidade de Kendô, poderá começar a competir nos campeonatos para iniciantes “Sem Bogu” realizados pela CBK, FPK e também pelos clubes. Avançando para a prática plena com o uso do “Bogu”, o praticante poderá competir nos campeonatos de acordo com a sua categoria e passar a se graduar em 1º Kyu e, depois, em “Dan”.

 

O Custo para Praticar Kendô Para a prática na modalidade de Kendô de forma plena, é necessário que o praticante possua o conjunto completo para as lutas, composto pelo “Shinai”, “Bogu” e “Keiko-Gui” (Vestimenta), e um conjunto de “Bokuto” (Espada de Madeira) para os exercícios de “Kata”, os quais, em versão básica, custam em torno de R$ 3.000,00. Embora seja caro para o padrão de renda do País, com exceção do “Shinai” que custa cerca de R$ 200,00 e pode durar menos que um ano, os demais itens são todos de longa duração, podendo ser facilmente utilizados por mais de cinco anos. Na modalidade de Iaido, o custo é um pouco menor, da ordem de R$ 2.000,00, compreendendo o “Iaito” e o “KeikoGui”. Na modalidade de Jodô, o custo é em torno de R$ 1.000,00, compreendendo o “Jo” (Bastão de Madeira), o “Bokuto” e o “Keiko-Gui”. Pelo seu estatuto, a FIK não permite a prática e o ensino do Kendô para fins comerciais e, assim, proíbe que seus praticantes façam da prática ou do ensino do Kendô o seu meio de amealhar renda ou patrimônio pessoal. Deste modo, todas as academias associadas aos organismos filiados à FIK cobram dos seus praticantes apenas a quantia necessária para a manutenção do seu “Dojô” (Local de Treinamento), a qual não inclui nenhuma remuneração para os seus professores.

 

Além de não cobrar mais do que é necessário para manter o “Dojô”, todas as academias oficiais procuram também reduzir os gastos de um praticante iniciante, não requerendo que os alunos tenham o conjunto completo para iniciar a prática. Em todas as três modalidades, é possível iniciar a prática com um gasto inicial em equipamento de R$ 200,00 ou de até menos ou de nenhum valor, pois que, na fase de iniciantes, é necessário que o praticante tenha apenas ou o “Shinai”, para o Kendô, ou o “Bokuto” com “Saya” (Bainha), para o Iaido, ou o “Jo”, para o Jodô, os quais algumas academias até emprestam, com ou sem cobrança de aluguel.​

Bem-vindo ao Nippon Country Club

アメリカ大陸最大の日系クラブ

O maior clube Nikkei das Américas.

Sede Nippon Arujá

 

Tel: 011-4652-0270

 

E-mail : secretaria.aruja@nipponclub.com.br

 

Escritório Central (Liberdade)

 

Tel: 011-3111-3999

 

E-mail : nipponclub@nipponclub.com.br

 

© Orgulhosamente criado por Center Foto 2015/2020 . contato: (11) 2403-2200